Motorola solutions quer levar fatia dos R$ 320 mi previstos pela Light.

Com participação em projetos de monitoramento de segurança na Espanha e na China, a Motorola Solutions, empresa pertencente à holding americana de telecomunicações Motorola, mira agora o fornecimento de insumos eletrônicos à concessionária de energia Light, que atua na distribuição de energia elétrica no Estado do Rio de Janeiro. Depois de recentes explosões em vários de seus bueiros, a empresa será obrigada a investir R$ 320 milhões em um período de dois anos para modernizar suas câmaras subterrâneas, áreas destinadas à manutenção da rede. Deste montante, cerca de R$ 88 milhões já serão injetados para a compra de sensores e demais equipamentos de monitoramento até o final de 2011.

"Hoje, a rede da empresa é desprovida de qualquer tipo de monitoramento sensorial. O prazo que foi estabelecido pela Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] para que a empresa crie um centro de monitoramento é de 2 anos.

Logo, a compra de equipamentos deve acontecer dentro em breve por causa da falta de segurança e das pressões exercidas pela esfera federal", explica o promotor do Ministério Público do Rio de Janeiro Pedro Rubim Borges-Fortes, que recentemente acompanhou as vistorias feitas pela prefeitura do município às galerias subterrâneas da distribuidora de energia.

De acordo com Joeval Martins, gerente sênior de Desenvolvimento de Negócios, Copa do Mundo Fifa 2014 e Jogos Olímpicos 2016 da Motorola Solutions, o caso da Light, a princípio, demandaria três tipos de sensor: sensor de temperatura, sensor de presença de gás e sensor de inundação. "Os bueiros poderiam ser monitorados por meio de uma rede de radiocomunicação que envia as informações para a central da empresa. O monitoramento é feito em tempo real, pois os sensores enviam a todo instante os dados que são coletados", diz.

A Light informou que já existem 50 sistemas de monitoramento em operação na cidade, e há previsão de que mais 1.120 sejam instalados em 2011. "Existe uma diferença muito grande entre a câmara já renovada, com monitoramento eletrônico, e as que ainda não sofreram essa intervenção. E é necessário que a Light implemente esse sistema de maneira abrangente para que a população possa estar completamente tranquila de que não haverá novas explosões de grande impacto", afirmou o promotor Fortes.

O plano emergencial da empresa contava com o investimento em tecnologia de R$ 100 milhões, levando em consideração o cálculo de que seriam necessários R$ 25 mil para equipar cada câmara subterrânea da companhia. Atualmente, são cerca de 4 mil as espalhadas pela capital fluminense. No entanto, o presidente da Light, Jerson Kelman, informou, no final da tarde da última sexta-feira, que serão feitos investimentos de R$ 320 milhões nos próximos dois anos para a recuperação da rede subterrânea do Rio. Kelman acrescentou que faltaram investimentos na rede subterrânea da cidade do Rio de Janeiro. Ele ressaltou, no entanto, que a concessionária não tem restrição orçamentária.

Impasse

Na última quarta-feira, o Ministério Público entrou com uma Ação Coletiva de Consumo contra as concessionárias Light e CEG (empresa de gás) por explosões em bueiros que foram provocadas pelas instalações subterrâneas de energia elétrica e gás canalizado. Este fator, segundo o promotor Pedro Rubim Borges-Fortes, pode antecipar uma procura por equipamentos sensoriais por parte da concessionária, uma vez que a empresa precisa cumprir um cronograma de metas que envolve a modernização de sua rede subterrânea. "Durante o encontro, não ficou estabelecido onde a empresa iria instalar um centro de monitoramento e nem com quais fornecedores iria trabalhar. O prazo para finalizar o trabalho, no entanto, já está definido", diz.

Na cidade de São Paulo, onde a distribuição de energia é de responsabilidade da AES Eletropaulo (Grupo AES), faz-se monitoramento em tempo real dos locais da cidade onde o cabeamento é instalado de forma subterrânea. Essa rede, diferentemente do que acontece no Rio, é utilizada somente para a distribuição de energia. Atualmente a empresa está investindo em uma solução de radiofrequência do tipo mesh [malha] que possibilita verificar as condições dos equipamentos instalados na rede subterrânea e gerenciar a carga de energia dos clientes, contribuindo para prevenir falhas na rede. A concessionária instalou 40 câmaras no sistema subterrâneo na rua Augusta, região da Avenida Paulista. A distribuidora informou que pretende expandir para 1.200 equipamentos até dezembro de 2012, sem entrar em detalhes sobre quais empresas estariam participando do fornecimento.

Fonte: DCI

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